sábado, 2 de fevereiro de 2008

"Mesmo proibido, olhai por nós."


A foto ao lado é do desfile da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis em 1989. Talvez o maior episódio de censura já registrado no carnaval até hoje. Aos que não sabem, a Beija-Flor trazia naquele ano o enredo "Ratos e urubus, larguem a minha fantasia", apresentando um desfile com carros cheios de lixo e planejando trazer em um deles uma imagem do Cristo Redentor vestido de mendigo sobre um monte de entulho. A Igreja, através da Justiça, proibiu a exibição da imagem. O Cristo entrou coberto por um pano preto e com os dizeres: "Mesmo proibido, olhai por nós". Em 2000, em mais um problema como esse, a escola de samba Unidos da Tijuca exibiria um painel com a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes. Foi proibida. Em 2004, foi a vez da Grande Rio ser censurada, ao tentar levar para a avenida um carro com esculturas do Kama Sutra. Agora, no carnaval de 2008 foi a vez da Viradouro ser a vítima, ao tentar levar para a avenida um carro simbolizando o Holocausto. (foto ao lado)
Uma liminar, concedida pela Justiça Estadual do Rio de Janeiro, impede o desfile da alegoria e de qualquer componente da escola com fantasias que caracterizem o ditador alemão Adolf Hitler. A Viradouro, mesmo não escondendo a tristeza com a decisão, se comprometeu a modificar o carro.
Acertadas ou não, essas decisões caracterizam a falta de liberdade de expressão. Em um país, onde no artigo 5º, inciso IV da Constituição está escrito: "É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato", a Escola deveria ser livre para se expressar, já que de forma alguma há anonimato nessa questão. Mas caímos numa questão de bom senso. Exibir esculturas com posições sexuais não é realmente correto, em um evento em que a participação de todas as idades é permitida. Mas dessa vez, a proibição foi longe demais. O carro da Viradouro, como defendido pela escola, não ofende de forma alguma a comunidade judaica no mundo. Tem por objetivo simbolizar a crueldade cometida por Hitler nos campos de concentração nazistas. Crueldade essa, que não deve ser esquecida NUNCA, para que nunca mais se repita. Mais uma vez, o carnaval carioca foi cerceado no seu direito de expressão. E com isso, nós também somos. Em filmes, é permitido exibir imagens de santos e sobre o Holocausto. Por que o megasucesso A Lista de Schindler não foi censurado também? Censurar o carnaval, maior manifestação cultural do país é censurar o povo brasileiro. Que Cristo, Javé e Nossa Senhora dos Navegantes, mesmo proibidos, olhem por nós.

4 comentários:

Rodrigo disse...

Eles não estão proibindo a manifestação contra o nazifascismo. Eles estão proibindo a forma que a escola quer mostrar essa manifestação. Creio que não é preciso mostrar corpos jogados no chão. Se vc fosse vítima de tal fato e estivesse vivo, não gostaria de lembrar de tais ações. Vide a história do Aleksander, que eu até hoje não fui lá na casa dele. E também, como a cena do Kamasutra, isso seria marcante para as crianças. Ver carro alegórico no carnaval cheio de "corpos". Isso não é questão de censura e sim de bom senso. Já a representação de Adolf Hitler, também acho errado. Foi um grande militar, um grande pensador, mas uma pessima pessoa, que não merece ser lembrada em um evento festivo de tamanho significativo. Estudei muito sobre história da 2ª guerra e acho, que devemos deixar ela lá atrás, lembrar-mos o mínimo dela. Não deveria ser retratada no carnaval. Se eu fosse judeu, não ficaria feliz por ver isso.

Unknown disse...

Depois de muitos anos devemos atentar para a inspiração da frase do jornalista Edgard de Oliveira Barros que foi o criador da manchete " pelé jogai por nós ".

Unknown disse...

Depois de muitos anos devemos atentar para a inspiração da frase do jornalista Edgard de Oliveira Barros que foi o criador da manchete " pelé jogai por nós ".

Unknown disse...

Depois de muitos anos devemos atentar para a inspiração da frase do jornalista Edgard de Oliveira Barros que foi o criador da manchete " pelé jogai por nós ".