sábado, 19 de abril de 2008

O nosso Estado que não é nação.

Pernambuco, 1648. Índios, brancos portugueses e negros se unem para expulsar o invasor holandês na Batalha dos Guararapes. Pela primeira vez, as três raças formadoras do Brasil se juntam em prol de um bem comum e, nasce ali o embrião do Exército Brasileiro e do pensamento nacional. Mas a união de André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão e seus povos não perdurou muito firme. Segregações são comuns até os dias de hoje e não há um culpado para isso. Todas as raças, governos e habitantes são responsáveis por essa segregação.
Em primeiro lugar, não há como não citar a escravidão no Brasil. As mais degradantes formas de exploração do ser humano foram colocadas em prática durante quase 400 anos. Não é uma simples caneta em um papel que mudaria essa situação. A caneta teve sim, o poder de acabar com o trabalho escravo em relação à cor da pele (sim, pois seria ignorância acreditar que o trabalho escravo em todas as suas formas foi realmente extinto), mas não teve e jamais terá o poder de mudar o pensamento das pessoas. Durante o século XX o pensamento evoluiu e diminuíram os preconceitos, mas estes não acabaram.
E o que criou esse pensamento? Primeiro, uma necessidade de exploração e lucros cada vez mais exorbitantes. E para isso, fundam-se teorias de explicação sórdida, como o determinismo de Friedrich Ratzel, que dizia que o homem branco estava destinado a dominar todas as demais raças, e, como servia muito bem como desculpa para o impulso colonizador, foi adotado pela classe dominante.
Outro grande culpado são as políticas governamentais. Nunca iremos integrar realmente os índios, mantendo-os cada vez mais isolados com demarcação de sítios e áreas. E aí entra a culpa dos próprios índios. Não concordo quando dizem que eles são os verdadeiros donos dessa terra. Os povos caucasianos, os negros e os imigrantes que aqui chegaram depois são tão donos como eles. (Vejam bem, tanto quanto eles, não mais). E os índios têm sua cultura, que eu defendo e que deve ser respeitada. Entretanto, essa cultura prega o isolamento. E na hora de ganhar suas terras eles acham interessante mantê-la, mas quando chega a ajuda do governo eles não reclamam que ela defende a caça e a pesca. O absurdo das políticas governamentais continua pelas cotas para negros em universidades públicas instituídas pelo governo. As cotas são sim, um instrumento discriminatório. Não vejo a menor necessidade de se instituírem cotas para negros. Defenderei sim, a cota para escolas públicas enquanto estas não tiverem o mínimo de qualidade. Mas, por acaso, o negro estuda em uma escola pública diferente da escola pública em que o branco estuda? Há essa discriminação? Não.
Aí entra a culpa das ONGs, Instituições e similares que lutam pela "igualdade". Lindo, perfeito. Se lutassem realmente pela IGUALDADE. Mas 90% delas querem é vantagens. Mas essa palavra é muito bonita, olhe bem, igualdade. Ótima para um slogan. Entre as lutas dessas supostas ONG's maravilha, ressalta-se que não se pode chamar alguém de "negrinho", mas chamar de "branquelo" passa longe de ser um crime.
E há uma grande culpa dos setores menos discriminados (os brancos). Há falta de consciência e de luta justamente por igualdade. O que é perfeitamente compreensível porque ninguém quer mudar algo que não lhe atrapalha. Como diz o ditado: 'em time que está ganhando não se mexe'. Ganhando? Quem ganha com isso? Esse anseio por falta de mudança é patético. Mais deplorável ainda é querer manter uma situação de diferenciação e superioridade entre iguais. Nunca a falta de respeito com alguém será algo aceitável.
Uma coisa, cabe afirmar: nós não temos identidade nacional. Há brancos que só querem saber de exaltar seus irmãos europeus e norte-americanos. Negros que só querem exaltar seus irmãos africanos. E irmãos brasileiros? Não há um ideal comum nesse país. Não existe 'o brasileiro'. Só em tempo de Copa do Mundo. Até mesmo nos regionalismos a identidade nacional se perde. É uma imbecilidade paulistas não gostarem de cariocas, ou baianos não gostarei de gaúchos ou mineiros odiarem nortistas. O sentimento que nasceu na Batalha dos Guararapes não "pegou" até hoje. São 360 anos de atraso social, na mentalidade e nos poucos esforços.
Daqui a 3 dias, completaremos 508 anos de descobrimento dessa terra em que se plantando tudo dá. Só não dá respeito, igualdade e união.

Um comentário:

Rodrigo disse...

O "sentimento que nasceu em Guararapes", nunca existiu. Aliás, nem antes, nem durante, nem depois. Foi tudo por causa dos impostos que a WIC cobrou após a demissão de Maurício de Nassau. Patriotismo? Não creio!