segunda-feira, 5 de maio de 2008

Olhos de mesmice: ninguém merece!

Heráclito de Éfeso foi um dos filósofos pré-socráticos mais importantes da filosofia clássica. Para muitos, foi, possivelmente, o mais brilhante. Entretanto, o que mais chamava sua atenção era a questão da unidade permanente do ser diante da pluralidade e mutabilidade das coisas particulares e transitórias. Calma...eu explico...
Essa manhã, quando estava voltando para casa, deparei-me com uma questão deveras interessante. Ao observar o contexto no qual estava inserida, percebi que nem sempre é possível olhar para as coisas como Heráclito sugeria. Para os que não conhecem, há um pensamento consagrado por ele e, posteriormente, pelos estudiosos de filosofia e observadores de plantão: “Tudo flui ,nada persiste, nem permanece o mesmo”. Tudo bem...é impossível discordar, mas, às vezes nem sempre conseguimos enxergar, na nossa rotina tão monótona, ou tão corrida, o curso das coisas. Que a vida é também um rio nós sabemos, mas quando realmente percebemos, como Heráclito observa, que não é possível mergulhar duas vezes no mesmo rio, pois, na segunda vez nem o mergulhador nem o rio são os mesmos? Pois é...é aí que mora o perigo. Há vezes em que não se pode olhar as coisas mudando, simplesmente porque nossos olhos estão repletos de mesmice. Claro que nós também mudamos, isso é fato. O desafio reside justamente em perceber as nossas mudanças e, ao mesmo tempo, não fechar os olhos para o que nos cerca.
Hoje as coisas me pareceram terrivelmente iguais e, ao lembrar o que essas idéias pré-socráticas pregam, pensei o quão estranho seria enxergar o cotidiano enquanto cotidiano, como se ele fosse o uno, ou, para o próprio Heráclito, aquilo que simplesmente é, enquanto o que nos envolve muda completamente, bem como a gente. Ou seja, tudo partiria e seria feito de cotidiano. Isso mesmo. É muito complicado pensar assim, mas é também um convite a não deixar de pensar e, obviamente, a não deixar de pensar a vida presente como sendo algo que compõe e comporá o nosso futuro, ou, o curso das coisas, o que flui e fluirá...

by Laís Scodeler

2 comentários:

João Paulo disse...

Vejo isso como uma coisa muito ligada à quebra de paradigmas. Nós não estamos acostumados a querer mudar as coisas. Somos mal acostumados. Assim como li uma vez em um texto chamado "Eu sei, mas não devia", as pessoas fazem as coisas só por costume sem se perguntar se poderiam fazer diferente.
E como diz aquele velho ditado: o futuro pertence a quem acredita na beleza de seus sonhos.

Popô disse...

Já conversei com vc
sobre o texto
só me contando
o q é uno
para eu ter uma melhor
compreensão e, assim,
fazer um comentário
melhor estruturado
BJS Laís
Sobre a escrita
gastou hein
huashushuashauhs