sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A Minha Dor...

Quando o céu escurece a noite em sono
brancas luzes empalidecem a imensidão...
a morte é a vida e a vida um mar sem dono
tristeza constante que se ergue do chão.

O vento é velho e espalha as dores do mundo
para quem as têm e não as quer mais...
todo o caminho é feito dum tédio profundo
angústias de sopros espectrais!

Ah! Se tudo fosse brisa e luz e dia
e os tormentos findassem angelicais
e os medos e as mágoas e agonias
fossem todos como cristais!

A minha vida não seria esta cruz amarga e dolente
-mortalha negra de solidão...
minhas mãos não seriam pálidas penitentes
sempre postas em oração...

meus lábios não seriam gelo e pedra
-secos de tanta lamentação...
pois hoje a minha alma é a cinza da treva
expirando a dor de um Não...


by Laís Scodeler

2 comentários:

marcelo disse...

Bravo!!! Laís sempre dando um tom quase cantabile aos seu poemas...muito bom mesmo...vc consegue expressar muito pra quem sabe entender realmente a sugestão da sua poesia...a parte do vento que espalha todas as dores do mundo criou uma imagem fantástica...parabéns Laís...agora aguardo seus poemas hedonistas e necrófilos, pra tb mostrar o seu lado mais tétrico hehehehehehehe

beijão!!!

Rafael Werneck disse...

Não sei porque ainda me espanto quando penso que cada texto da Laís é melhor que o outro...
Adorei essa parte:

"Ah! Se tudo fosse brisa e luz e dia
e os tormentos findassem angelicais
e os medos e as mágoas e agonias
fossem todos como cristais!"

Sem palavras...

Ah! Ainda guardo a sua coleção de textos aqui em casa! ^^