Quando o céu escurece a noite em sono
brancas luzes empalidecem a imensidão...
a morte é a vida e a vida um mar sem dono
tristeza constante que se ergue do chão.
O vento é velho e espalha as dores do mundo
para quem as têm e não as quer mais...
todo o caminho é feito dum tédio profundo
angústias de sopros espectrais!
Ah! Se tudo fosse brisa e luz e dia
e os tormentos findassem angelicais
e os medos e as mágoas e agonias
fossem todos como cristais!
A minha vida não seria esta cruz amarga e dolente
-mortalha negra de solidão...
minhas mãos não seriam pálidas penitentes
sempre postas em oração...
meus lábios não seriam gelo e pedra
-secos de tanta lamentação...
pois hoje a minha alma é a cinza da treva
expirando a dor de um Não...
by Laís Scodeler
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Lembranças Desagradáveis
"No dia 11 de setembro de 2001, dois aviões derrubaram as torres gêmeas do complexo de World Trade Center, em Nova Iorque. Outro avião se chocou contra o Pentágono e um terceiro, que se dirigia provavelmente para Washington, foi abatido perto de Pittsburg. O mundo ficou estarrecido, uma vez que os atentados nos EUA foram transmitidos pela televisão, ao vivo, e assistidos por pessoas de todos os países. [...] Os aviões que operaram o maior ataque terrorista da História mostraram que as defesas do Estado mais poderoso do mundo não eram tão impenetráveis quanto se pensava. Quantos mortos? As primeiras notícias chegaram a apontar cerca de 6 mil vítimas. Quem tinha feito aquilo? Osama bin Laden, respondeu ao governo Bush, indicando o fundamentalista saudita como principal suspeito de ser o mentor dos atentados em New York e Washington."
Agora veja o que disse Umberto Eco:
"Que o homem, por um erro desajeitado do acaso, tenha surgido na Terra entregue a sua condição de mortal e, como se não bastasse, condenado a ter consciência disso. [...] Este homem, para encontrar coragem para esperar a morte, tornou-se forçosamente um animal religioso. [...] Chegando à plenitude dos tempos [este homem] tem, em um momento determinado, a força religiosa, moral e poética de conceber o modelo do Cristo, do amor universal, do perdão aos inimigos, da vida ofertada em holocausto pela salvação do outro."
As palavras acima mostram, na verdade, um ideal de homem, uma quimera bem distante. Não fosse isso, os atentados do dia 11 de setembro de 2001 não passariam de mero devaneio...
Site consultado: http://pt.shvoong.com/humanities/1669092-atentado-11-setembro/
by Laís Scodeler
Agora veja o que disse Umberto Eco:
"Que o homem, por um erro desajeitado do acaso, tenha surgido na Terra entregue a sua condição de mortal e, como se não bastasse, condenado a ter consciência disso. [...] Este homem, para encontrar coragem para esperar a morte, tornou-se forçosamente um animal religioso. [...] Chegando à plenitude dos tempos [este homem] tem, em um momento determinado, a força religiosa, moral e poética de conceber o modelo do Cristo, do amor universal, do perdão aos inimigos, da vida ofertada em holocausto pela salvação do outro."
As palavras acima mostram, na verdade, um ideal de homem, uma quimera bem distante. Não fosse isso, os atentados do dia 11 de setembro de 2001 não passariam de mero devaneio...
Site consultado: http://pt.shvoong.com/humanities/1669092-atentado-11-setembro/
by Laís Scodeler
sábado, 6 de setembro de 2008
Para refletir...
"Por isso, meti-me na política, como se diz. [...] Fiquei com eles durante muito tempo, e não há país da Europa de cujas lutas eu não tenha compartilhado. É claro, eu sabia que também nós
pronunciávamos, ocasionalmente, condenações. Mas diziam-me que essas poucas mortes eram necessárias para construir um mundo em que não se mataria ninguém. [...] Até o dia em que vi uma execução [...] Compreendi assim que eu, pelo menos, não tinha deixado de ser um empestado durante todos esses anos em que, no entanto, com toda a minha alma, eu julgava lutar contra a peste [...]. Desde então, não mudei. Há muito que tenho vergonha, uma
vergonha mortal, de ter sido, ainda que de longe, ainda que na boa vontade, por minha vez, um assassino. [...] a partir do momento em que renunciei a matar, me condenei a um exílio definitivo. São os outros que farão a história. [...] Foi assim que decidi pôr-me do lado das vítimas." (Camus, in "A Peste")
Esse trecho corresponde a um depoimento, feito pelo personagem Tarrou, do livro "A Peste". Para ele, atos violentos não podem ser justificados por objetivos nobres. Dessa forma, percebemos que a violência e o crime não são aceitos como meios. Isso tudo reflete a opinião de Albert Camus, autor da obra, que se posiciona contrariamente ao aspecto violento das revoltas. O romance, escrito após Segunda Guerra Mundial, alude ao conflito utilizando a metáfora da peste e faz uma crítica que desconstrói os motivos do regime nazista de Adolf Hitler. Durante a leitura, fica realmente claro que é perfeitamente possível estabelecer um paralelo entre a força de destruição existente em um período de peste e uma época de guerra. Entretanto, a peste não é, pelo menos diretamente, articulada por alguém...
"O bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido [...] espera pacientemente, [...] e viria talvez um dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria os seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz."
(Camus, in "A Peste")
by Laís Scodeler
pronunciávamos, ocasionalmente, condenações. Mas diziam-me que essas poucas mortes eram necessárias para construir um mundo em que não se mataria ninguém. [...] Até o dia em que vi uma execução [...] Compreendi assim que eu, pelo menos, não tinha deixado de ser um empestado durante todos esses anos em que, no entanto, com toda a minha alma, eu julgava lutar contra a peste [...]. Desde então, não mudei. Há muito que tenho vergonha, uma
vergonha mortal, de ter sido, ainda que de longe, ainda que na boa vontade, por minha vez, um assassino. [...] a partir do momento em que renunciei a matar, me condenei a um exílio definitivo. São os outros que farão a história. [...] Foi assim que decidi pôr-me do lado das vítimas." (Camus, in "A Peste")
Esse trecho corresponde a um depoimento, feito pelo personagem Tarrou, do livro "A Peste". Para ele, atos violentos não podem ser justificados por objetivos nobres. Dessa forma, percebemos que a violência e o crime não são aceitos como meios. Isso tudo reflete a opinião de Albert Camus, autor da obra, que se posiciona contrariamente ao aspecto violento das revoltas. O romance, escrito após Segunda Guerra Mundial, alude ao conflito utilizando a metáfora da peste e faz uma crítica que desconstrói os motivos do regime nazista de Adolf Hitler. Durante a leitura, fica realmente claro que é perfeitamente possível estabelecer um paralelo entre a força de destruição existente em um período de peste e uma época de guerra. Entretanto, a peste não é, pelo menos diretamente, articulada por alguém...
"O bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido [...] espera pacientemente, [...] e viria talvez um dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria os seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz."
(Camus, in "A Peste")
by Laís Scodeler
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Lei da relatividade
Em 2005, subiu o preço da passagem de ônibus em JF: de R$1,30 para R$1,55. Todo mundo reclamou, xingou, organizou passeata contra o aumento e muito mais.
O tempo passou, a passagem subiu para R$1,75.
Em 2008, um decreto judicial manda que o preço da passagem retorne de R$1,75 para R$1,55. Todo mundo comemorou o novo preço da passagem.
Tudo é relativo, até o prejuízo que a gente toma.
O tempo passou, a passagem subiu para R$1,75.
Em 2008, um decreto judicial manda que o preço da passagem retorne de R$1,75 para R$1,55. Todo mundo comemorou o novo preço da passagem.
Tudo é relativo, até o prejuízo que a gente toma.
domingo, 17 de agosto de 2008
Citius, altius, fortius
Incontestável. Bárbaro. Magnífico. Faltam adjetivos para definir Michael Fred Phelps II, ou simplesmente Michael Phelps, ou ainda, o maior atleta de todos os tempos. Os números dizem mais que qualquer outro argumento que eu possa apresentar aqui: 16 medalhas olímpicas em 17 provas disputadas. 14 de ouro e 2 de bronze. A prova que ele não ganhou medalha? Nas olimpíadas de Sydney (2000), Phelps tinha 15 anos de idade e chegou em quinto nos 200m borboleta. De lá pra cá, Atenas (2004) e Beijing (2008), 14 ouros em 16 provas. Sendo 8 dessas medalhas de ouro nos jogos de Beijing, superando o recorde do também americano Mark Spitz, que havia ganhado 7 medalhas de ouro nos jogos de Munique (1972). Nessas 8 provas, Phelps bateu 7 recordes mundiais e 1 recorde olímpico. Incrível.
Mesmo diante de tamanho poderio, cabe a nós exaltar uma conquista. Um atleta que conquistou "apenas" 1 ouro e 1 bronze: o brasileiro César Cielo Filho. Ouro nos 50m livre, o que faz de Cielo o nadador mais rápido do planeta. E ainda, bronze nos 100m livre, mesmo tendo largado na raia 8, a raia de quem se classifica com o pior tempo para as finais.
Sempre que um brasileiro chega ao lugar mais alto do pódio, a primeira palavra que vem à cabeça é superação. Todos nós sabemos o quanto é difícil chegar ao ouro olímpico, sobretudo para quem vem de um país que valoriza tão pouco o esporte. E a própria história de Cielo mostra essa dificuldade. Ele teve que abandonar a família no Brasil e ir para Auburn nos Estados Unidos, para conseguir treinar em alto nível. Seu choro é o mais certo e compreensível. Esforço, saudade, tudo recompensado agora. Como disse o próprio Cielo, “era um sonho meu de criança. Nunca imaginei que eu fosse chegar onde eu estou hoje. Eu sou campeão olímpico”. Muitos brasileiros têm esse sonho. Mas essa medalha é mais uma prova de que vivemos em um país que pode dar certo. Determinação e vontade nunca faltaram nem nunca faltarão aos brasileiros.
E durante um momento, essas duas histórias se cruzaram. Enquanto Cielo entrava para nadar os 50m livre objetivando a primeira vitória da história da natação brasileira em Olimpíadas, Phelps voltava do pódio, após receber a sua 13ª medalha de ouro e disse ao brasileiro: "
Cara, você viu o que eu fiz? Fui lá e ganhei por um centésimo. Você vai ganhar por um centésimo ou vai perder por um centésimo? Então vai lá e bate na parede". Não foi um centésimo. Foram 15 de vantagem para o francês Amaury Levaux e um recorde olímpico, já pertencente ao próprio Cielo, batido. A concentração de Cielo e as eficientes braçadas o levaram ao local mais alto. Não importa se foram 14 ouros ou se foi 1. Os dois fizeram história à sua maneira. Mas ouvir o hino nacional brasileiro, ahh, foi muito melhor, mesmo que tenha sido apenas uma vez.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
O que somos...
Não somos unicamente porque precisamos
quando somos e deixamos ser...
há uma verdade no que não sentimos nem mostramos
verdade que cisma em não querer.
Os nossos abismos são de sede
sede que nos mata o não beber...
os nossos muros são ecos na parede
ecos que engolem sem saber.
A nossa embriaguez nos alucina
consome, transforma, faz sofrer
porque nós somos donos e escravos em sina
somos únicos quando podemos ter...
temos não por necessidade de vida
mas simplesmente porque nos faz viver
vivemos cabisbaixos o mundo, sem chão, sem partida
vivemos os dias a adormecer...
dormimos porque não queremos
não queremos ver
estamos sós no que seremos
pois seremos queda, sem espaço para erguer.
by Laís Scodeler
quando somos e deixamos ser...
há uma verdade no que não sentimos nem mostramos
verdade que cisma em não querer.
Os nossos abismos são de sede
sede que nos mata o não beber...
os nossos muros são ecos na parede
ecos que engolem sem saber.
A nossa embriaguez nos alucina
consome, transforma, faz sofrer
porque nós somos donos e escravos em sina
somos únicos quando podemos ter...
temos não por necessidade de vida
mas simplesmente porque nos faz viver
vivemos cabisbaixos o mundo, sem chão, sem partida
vivemos os dias a adormecer...
dormimos porque não queremos
não queremos ver
estamos sós no que seremos
pois seremos queda, sem espaço para erguer.
by Laís Scodeler
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
O Chão dos Homens
Quem conhece o ser humano sabe, mesmo que não por experiência própria, o quão difícil é confiar nele. Uns ainda levam fé na humanidade, outros tantos já perderam, e com razão, os filetes de esperança que ainda restavam. “Não se pode confiar nos homens...”, dizem os desacreditados. Mas, e quanto ao diabo? Há os que defendem a idéia de que se pode confiar até no “coisa-ruim”, entretanto, é necessário ser cuidadoso no que diz respeito aos humanos, justamente porque são humanos, e como tal, não são criaturas de fácil trato e nem de caráter generalizável.
Numa de suas andanças pelo mundo, o diabo, disfarçado de homem, deparou-se com uma mulher que, sem percebê-lo, cantarolava solitária ao estender uns poucos trapos no varal. Ele, como criatura dos infernos, há muito turista de mundos diversos e conhecedor das mais raras formas, viu-se extremamente admirado com a beleza da moça. Esta, simples mas bem cuidada, chamava-se Lis e era casada com um agricultor humilde e de muito valor que passava a maior parte do tempo trabalhando na fazenda do patrão latifundiário. Lis cuidava de suas obrigações durante o dia e, de noite, costumava esperar o marido olhando a lua.
Na noite de lua cheia, o diabo, inconformado por não conseguir deixar de pensar naquela criatura tão divina, ainda que humana, decidiu quebrar algumas regras que separam terra e inferno disfarçando-se de vendaval para raptá-la. A coitada, completamente desorientada, ao ser levada naquela velocidade, pensou que o fim dos tempos havia chegado. Quando foi posta no chão, não viu o diabo como diabo, e sim como um belo homem. Durante alguns poucos instantes, não acreditou que ele fosse homem, mas anjo, e perguntou, com toda a sua ingenuidade, se o mundo estava acabando. O tinhoso, esperto, disse que sim e que a estava salvando. A moça caiu em pranto! Como poderia viver sem o marido? Então, Lis engoliu o choro e disse: “olha seu anjo-moço, sem o Zé, meu marido, eu não posso viver...se ele morre, eu morro junto. Se o mundo acabar e levar o Zé, eu acabo também...sem o meu Zé eu não sou nada.”
Depois da declaração apaixonada, o diabo, que de anjo não tinha nada, muito menos as asas, encolerizou-se com a moça e puniu-a de um jeito bem diabólico, diga-se de passagem. Quando Zé, desesperado com o sumiço misterioso da esposa, parou de trabalhar porque não agüentava mais a dor da perda que sentia, o tinhoso, cheio de ódio no peito vazio, arrastou Lis pelos cabelos e enterrou-a debaixo do chão que seu marido cuidava. Ao voltar ao trabalho, Zé sentiu algo estranho, mas nem de longe poderia imaginar o motivo que o fazia sentir-se daquele jeito. Lis ouvia, então, o choro sentido do marido quando tratava da terra, mas nada podia fazer.
Quando o sol caiu, o diabo apareceu para Zé e apresentou-se como sendo o diabo mesmo, sem enganação e sem pseudônimo e foi muito sincero com o agricultor: “Numa dessas minhas andanças pelo mundo, vi sua esposa e me apaixonei por ela! Como ela não me quis, eu a escondi de você! Se quiser a Lis de volta, vai ter que me dar a sua alma...”. O pobre, que não agüentava mais tanta tristeza, concordou. O diabo, que não é bobo, tratou logo de arrancar a alma do moço e garantir mais um na sua morada. Quando as três gotas do sangue de Zé caíram ao chão, o tinhoso virou vendaval de novo e puxou-lhe a alma pela boca. O corpo do homem caiu e a terra deu conta do resto... Lis sentiu quando o marido chegou, mas não como sempre fora, para lhe fazer companhia. Sua tristeza foi tanta, mais tanta, que ela não agüentou. Durante dias, suas lágrimas escorreram por aquela terra, aquele chão...tempos depois, cresceu ali uma flor, conhecida posteriormente por “flor-de-lis”...
O diabo continua sendo diabo e andando pelo mundo. O homem continua sendo homem e andando pela terra, mesmo que não dure sobre ela...
by Laís Scodeler
Numa de suas andanças pelo mundo, o diabo, disfarçado de homem, deparou-se com uma mulher que, sem percebê-lo, cantarolava solitária ao estender uns poucos trapos no varal. Ele, como criatura dos infernos, há muito turista de mundos diversos e conhecedor das mais raras formas, viu-se extremamente admirado com a beleza da moça. Esta, simples mas bem cuidada, chamava-se Lis e era casada com um agricultor humilde e de muito valor que passava a maior parte do tempo trabalhando na fazenda do patrão latifundiário. Lis cuidava de suas obrigações durante o dia e, de noite, costumava esperar o marido olhando a lua.
Na noite de lua cheia, o diabo, inconformado por não conseguir deixar de pensar naquela criatura tão divina, ainda que humana, decidiu quebrar algumas regras que separam terra e inferno disfarçando-se de vendaval para raptá-la. A coitada, completamente desorientada, ao ser levada naquela velocidade, pensou que o fim dos tempos havia chegado. Quando foi posta no chão, não viu o diabo como diabo, e sim como um belo homem. Durante alguns poucos instantes, não acreditou que ele fosse homem, mas anjo, e perguntou, com toda a sua ingenuidade, se o mundo estava acabando. O tinhoso, esperto, disse que sim e que a estava salvando. A moça caiu em pranto! Como poderia viver sem o marido? Então, Lis engoliu o choro e disse: “olha seu anjo-moço, sem o Zé, meu marido, eu não posso viver...se ele morre, eu morro junto. Se o mundo acabar e levar o Zé, eu acabo também...sem o meu Zé eu não sou nada.”
Depois da declaração apaixonada, o diabo, que de anjo não tinha nada, muito menos as asas, encolerizou-se com a moça e puniu-a de um jeito bem diabólico, diga-se de passagem. Quando Zé, desesperado com o sumiço misterioso da esposa, parou de trabalhar porque não agüentava mais a dor da perda que sentia, o tinhoso, cheio de ódio no peito vazio, arrastou Lis pelos cabelos e enterrou-a debaixo do chão que seu marido cuidava. Ao voltar ao trabalho, Zé sentiu algo estranho, mas nem de longe poderia imaginar o motivo que o fazia sentir-se daquele jeito. Lis ouvia, então, o choro sentido do marido quando tratava da terra, mas nada podia fazer.
Quando o sol caiu, o diabo apareceu para Zé e apresentou-se como sendo o diabo mesmo, sem enganação e sem pseudônimo e foi muito sincero com o agricultor: “Numa dessas minhas andanças pelo mundo, vi sua esposa e me apaixonei por ela! Como ela não me quis, eu a escondi de você! Se quiser a Lis de volta, vai ter que me dar a sua alma...”. O pobre, que não agüentava mais tanta tristeza, concordou. O diabo, que não é bobo, tratou logo de arrancar a alma do moço e garantir mais um na sua morada. Quando as três gotas do sangue de Zé caíram ao chão, o tinhoso virou vendaval de novo e puxou-lhe a alma pela boca. O corpo do homem caiu e a terra deu conta do resto... Lis sentiu quando o marido chegou, mas não como sempre fora, para lhe fazer companhia. Sua tristeza foi tanta, mais tanta, que ela não agüentou. Durante dias, suas lágrimas escorreram por aquela terra, aquele chão...tempos depois, cresceu ali uma flor, conhecida posteriormente por “flor-de-lis”...
O diabo continua sendo diabo e andando pelo mundo. O homem continua sendo homem e andando pela terra, mesmo que não dure sobre ela...
by Laís Scodeler
sábado, 2 de agosto de 2008
Nuvens
O Chicão escolheu a minha palavra! "Nuvens"
As crianças nascem muito antes do que pensamos. Muitos pais olham para o céu e desejam, com força, um filho. Aí já temos, ainda que não fisicamente, um nascimento, visto que desejos também podem criar. Para a maioria, não importa o sexo do bebê, e sim que ele nasça com saúde, mas todos nascem, cada um de um jeito, predestinados a alguma coisa.
Quando os pais de uma menina fraquinha e diferente olhavam para as nuvens, pediam o que todos os outros pedem e tinham desejos praticamente comuns aos de inúmeras pessoas que estão constituindo uma família. No entanto, nem tudo o que desejamos vira fato consumado e nem todas as nossas preces são preces propriamente ditas.
“Essa menina é estranha...”, diziam os familiares ao olhá-la embrulhada nos panos que a protegiam do frio, mas que não a guardavam dos julgamentos dolorosos e das mesuras tortas. “Parece que os olhos dela não são normais...”, arriscavam outros, curiosos com o que viam. Os pais, tristes e infelizes com as supostas preces não atendidas, repetiam, envergonhados, a mesma ladainha: “É que ela é cega de um olho, coitadinha...e nós rezamos tanto antes dela nascer...”
O tempo passou e a pobre cresceu enxergando tudo “pela metade”, como insistiam os de seu convívio. Mesmo assim, isso não fazia diferença pois, mesmo não sendo igual aos que a conheciam, não deixava nunca de olhar para o céu. Todos têm um céu único, particular, escondido. O de muitos é chuvoso, escuro, triste...o dela era repleto de nuvens que ela, aparentemente,não via por completo. Ainda assim, a pequena, com toda a sua imperfeição, fazia questão de olhar para as nuvens todos os dias e também fazer suas preces. Não pedia para ser como os que a cercavam, nem pedia bonecas. Pedia somente que pudesse, mesmo que “pela metade”, continuar enxergando o céu, que, por mais incompleto que fosse, era seu.
Um belo dia, a mãe da menina ouviu o desejo que a filha murmurava sozinha e discreta em seu quarto. Sem saber muito o que pensar, lembrou-se de quando também erguia suas preces ao alto e tentou, inutilmente, entender porque o seu bebê tão bem desejado não era como gostaria que fosse. A resposta veio logo em seguida, ao olhar para a criança que, sem perceber sua presença, sorria. Desejos são, por melhores que possam parecer, como nuvens. Esfumaçam, se perdem, se transformam e, quando chegam ao céu, já não são como antes, por isso, não se realizam como gostaríamos...já alguns, simplesmente evaporam, criando o inexplicável.
by Laís Scodeler
As crianças nascem muito antes do que pensamos. Muitos pais olham para o céu e desejam, com força, um filho. Aí já temos, ainda que não fisicamente, um nascimento, visto que desejos também podem criar. Para a maioria, não importa o sexo do bebê, e sim que ele nasça com saúde, mas todos nascem, cada um de um jeito, predestinados a alguma coisa.
Quando os pais de uma menina fraquinha e diferente olhavam para as nuvens, pediam o que todos os outros pedem e tinham desejos praticamente comuns aos de inúmeras pessoas que estão constituindo uma família. No entanto, nem tudo o que desejamos vira fato consumado e nem todas as nossas preces são preces propriamente ditas.
“Essa menina é estranha...”, diziam os familiares ao olhá-la embrulhada nos panos que a protegiam do frio, mas que não a guardavam dos julgamentos dolorosos e das mesuras tortas. “Parece que os olhos dela não são normais...”, arriscavam outros, curiosos com o que viam. Os pais, tristes e infelizes com as supostas preces não atendidas, repetiam, envergonhados, a mesma ladainha: “É que ela é cega de um olho, coitadinha...e nós rezamos tanto antes dela nascer...”
O tempo passou e a pobre cresceu enxergando tudo “pela metade”, como insistiam os de seu convívio. Mesmo assim, isso não fazia diferença pois, mesmo não sendo igual aos que a conheciam, não deixava nunca de olhar para o céu. Todos têm um céu único, particular, escondido. O de muitos é chuvoso, escuro, triste...o dela era repleto de nuvens que ela, aparentemente,não via por completo. Ainda assim, a pequena, com toda a sua imperfeição, fazia questão de olhar para as nuvens todos os dias e também fazer suas preces. Não pedia para ser como os que a cercavam, nem pedia bonecas. Pedia somente que pudesse, mesmo que “pela metade”, continuar enxergando o céu, que, por mais incompleto que fosse, era seu.
Um belo dia, a mãe da menina ouviu o desejo que a filha murmurava sozinha e discreta em seu quarto. Sem saber muito o que pensar, lembrou-se de quando também erguia suas preces ao alto e tentou, inutilmente, entender porque o seu bebê tão bem desejado não era como gostaria que fosse. A resposta veio logo em seguida, ao olhar para a criança que, sem perceber sua presença, sorria. Desejos são, por melhores que possam parecer, como nuvens. Esfumaçam, se perdem, se transformam e, quando chegam ao céu, já não são como antes, por isso, não se realizam como gostaríamos...já alguns, simplesmente evaporam, criando o inexplicável.
by Laís Scodeler
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Sobre tudo e sobre nada.
Razão
Nêutron
Futebol
Fé
Paixão
Eu
Brasil
Cachaça
Lágrima
Você
Guerra
Fogo
Sonho
Distância
SOS
Força
Sol
Trabalhador
Amor
Brilho
Dentro
Nuvens
Coração
Beleza
Mar
Se
Chão
União
Sal
Queria escrever sobre tanta coisa. Mas não quero escrever sobre nada.
Então aí estão as palavras. Tudo que andei pensando desde o último post.
Bem, agora cada um faz seu texto. Com essas palavras. Em sua própria mente. (Se quiser colocar seu texto nos comentários, fique à vontade). Fica melhor assim.
Nêutron
Futebol
Fé
Paixão
Eu
Brasil
Cachaça
Lágrima
Você
Guerra
Fogo
Sonho
Distância
SOS
Força
Sol
Trabalhador
Amor
Brilho
Dentro
Nuvens
Coração
Beleza
Mar
Se
Chão
União
Sal
Queria escrever sobre tanta coisa. Mas não quero escrever sobre nada.
Então aí estão as palavras. Tudo que andei pensando desde o último post.
Bem, agora cada um faz seu texto. Com essas palavras. Em sua própria mente. (Se quiser colocar seu texto nos comentários, fique à vontade). Fica melhor assim.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Fé
Somente duas letras. E um significado extremamente amplo. O que seria a fé? O que a move? Quais são seus limites?
Imagem encontrada em 1717 nas margens do rio Paraíba do Sul.
Vista da Sala das Promessas. Repare no teto coberto por fotos de fiéis.
Vista de uma parte do teto da mesma sala, decorada somente com fotos 3x4.
Objetos de cera oferecidos pelos fiéis.
Mais objetos de cera e fitas.
Essas perguntas vieram à minha cabeça depois de uma viagem que realizei a Aparecida - SP no último final de semana. Aos que não sabem, Aparecida é o maior centro de peregrinação católica da América Latina. Lá se localiza a imagem encontrada em 1717 por três pescadores nas águas do rio Paraíba do Sul e que gerou o culto a Nossa Senhora Aparecida. Para se ter uma idéia da grandiosidade do local, segue uma descrição retirada da wikipédia: A Basílica Nacional de Aparecida tem capacidade de abrigar 75 mil pessoas e possui a forma de uma Cruz Grega (de braços iguais) com naves que possuem uma altura de 40 metros. A cúpula mede 70 metros de altura e tem 78 metros de diâmetro, sendo que sua torre mede 100 metros de altura. Possui área construída total de 23 mil metros quadrados (sendo cobertos 18 mil) e tem capacidade para 45.000 fiéis dentro da basílica e quatro mil ônibus e seis mil carros nos 272 mil metros quadrados de estacionamento. Para a sua construção foram gastos 25 milhões de tijolos e 40.000 m³ de concreto. Entre isso tudo, dois locais se destacam na Basílica: a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e a Sala das Promessas. Seguem fotos dos dois locais:
Imagem encontrada em 1717 nas margens do rio Paraíba do Sul.
Vista da Sala das Promessas. Repare no teto coberto por fotos de fiéis.
Vista de uma parte do teto da mesma sala, decorada somente com fotos 3x4.
Objetos de cera oferecidos pelos fiéis.
Mais objetos de cera e fitas.Realmente você se sente impressionado ao adentrar à Sala das Promessas. No momento que entra, acha que a fé do ser humano não tem limites. Então, sai tentando imaginar que graça será que todas aquelas pessoas ali alcançaram. É impossível. São muitas histórias. Muitos objetos de anônimos e muitos de famosos, como Ronaldinho, Zico, Renato Aragão, Ayrton Senna, Chitãozinho e tantos outros.
Nisso, vemos somente a fé católica. E tantas outras pessoas crentes em tantas outras religiões também têm seus templos, sua devoção e sua fé. E agora, voltamos às perguntas iniciais: o que seria a fé? O que a move? Quais são seus limites?
A fé é tudo aquilo em que você acredita sem precisar de provas, sem precisar ser palpável. O que a move é o inexplicável, o desejo de ter algo em que confiar em meio a tantas agruras e problemas da vida e as suas limitações, bem, essas não existem. Afinal, sempre fraquejaremos e sempre acreditaremos que teremos soluções vindas de um inexplicável, de uma força maior ou, com a força de quatro simples letras: Deus.
PS: Não será tolerado qualquer comentário com teor de intolerância religiosa.
Nisso, vemos somente a fé católica. E tantas outras pessoas crentes em tantas outras religiões também têm seus templos, sua devoção e sua fé. E agora, voltamos às perguntas iniciais: o que seria a fé? O que a move? Quais são seus limites?
A fé é tudo aquilo em que você acredita sem precisar de provas, sem precisar ser palpável. O que a move é o inexplicável, o desejo de ter algo em que confiar em meio a tantas agruras e problemas da vida e as suas limitações, bem, essas não existem. Afinal, sempre fraquejaremos e sempre acreditaremos que teremos soluções vindas de um inexplicável, de uma força maior ou, com a força de quatro simples letras: Deus.
PS: Não será tolerado qualquer comentário com teor de intolerância religiosa.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Pressa? Para quê?
Nos dias de hoje somos, constantemente, surpreendidos por fatos que nos mostram o quanto temos pressa. A maioria das pessoas acorda cedo e toma o café da manhã bem depressa, para chegar rápido ao seu destino. Aliás, boa parte pula o desjejum e vai logo embora! Caramba! Que pressa, né? Isso tudo é medo...medo de perder aula, de perder o emprego, de perder tempo e tempo é dinheiro!
Tem gente que tem pressa até para comer! E tudo para não perder tempo...alguns se acostumam e acabam tendo pressa para fazer tudo, simplesmente porque esse sentimento já está inserido em sua personalidade. Outros dizem que a vida é curta demais e que temos mesmo que aproveitar. Concordo. No entanto, aproveitar o tempo não significa atropelá-lo. Pense o seguinte: quando você vive os momentos da sua vida, consegue, de fato, obter êxito quando tem pressa? Seja qual for a resposta, sabemos que cada um tem a sua vida, com suas particularidades e que, obviamente, cada um sabe de si.
A sugestão é viver tudo a seu tempo, sem passar por cima das coisas pensando no futuro. Assim, só haverá futuro! E quando você for, depois de tudo, olhar para trás, verá que não viveu direito e que seu passado não existe como você gostaria. Saiba aproveitar a companhia das pessoas queridas sem ficar olhando no relógio, saiba ficar sentado sem pensar que daqui a pouco tem que levantar e ir sei lá para onde! Saiba aproveitar a vida como ela é, e, quem sabe você não descobre, na hora certa, um jeito de fazê-la mais feliz sem ter que sair correndo para pegar o ônibus!
"Não é a febre da pressa, mas sim a pressa da febre. A vida moderna é um lazer agitado, uma fuga ao movimento ordenado por meio da agitação."
Fernando Pessoa, in "Heróstato"
by Laís Scodeler
Tem gente que tem pressa até para comer! E tudo para não perder tempo...alguns se acostumam e acabam tendo pressa para fazer tudo, simplesmente porque esse sentimento já está inserido em sua personalidade. Outros dizem que a vida é curta demais e que temos mesmo que aproveitar. Concordo. No entanto, aproveitar o tempo não significa atropelá-lo. Pense o seguinte: quando você vive os momentos da sua vida, consegue, de fato, obter êxito quando tem pressa? Seja qual for a resposta, sabemos que cada um tem a sua vida, com suas particularidades e que, obviamente, cada um sabe de si.
A sugestão é viver tudo a seu tempo, sem passar por cima das coisas pensando no futuro. Assim, só haverá futuro! E quando você for, depois de tudo, olhar para trás, verá que não viveu direito e que seu passado não existe como você gostaria. Saiba aproveitar a companhia das pessoas queridas sem ficar olhando no relógio, saiba ficar sentado sem pensar que daqui a pouco tem que levantar e ir sei lá para onde! Saiba aproveitar a vida como ela é, e, quem sabe você não descobre, na hora certa, um jeito de fazê-la mais feliz sem ter que sair correndo para pegar o ônibus!
"Não é a febre da pressa, mas sim a pressa da febre. A vida moderna é um lazer agitado, uma fuga ao movimento ordenado por meio da agitação."
Fernando Pessoa, in "Heróstato"
by Laís Scodeler
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Falta o quê?

Se você possui a mesma paixão que eu, certamente você conhece essa quadra. Pra quem ainda não reconheceu, aí vão mais duas imagens.

Agora ficou fácil. Estou falando do Handebol. E ao falar desse esporte eu pergunto: o que falta para o Handebol ser mais valorizado no país?Eu vos faço uma pergunta: vocês sabem qual é o esporte mais praticado nas escolas do país? Pensou futebol, certo? Errou. O esporte mais praticado nas escolas brasileiras atualmente é, acreditem, o Handebol.
E como todos sabem, os jogos escolares são cada vez mais uma forma de descobrir talentos para o esporte. Então por que não investir no esporte?
Muitos dirão: não há valorização do handebol no país porque ele não conquista títulos de âmbito internacional. Vejo nisso um posicionamento totalmente errôneo, porque o que acontece é justamente o contrário, o handebol brasileiro não conquista títulos de âmbito internacional por não ser valorizado. É impossível ser jogador de handebol no Brasil, como relata Hélio Justino, o Helinho, capitão da seleção brasileira bicampeã pan-americana, título conquistado no Riocentro lotado ano passado no Rio: “Todo atleta de handebol é formado em alguma coisa. Então você não consegue ficar focado exatamente no handebol, a não ser quem está lá fora”. Eu estive lá, acompanhei todos os jogos dessa conquista e vi centenas de apaixonados por Handebol. Muitos sonhando poder um dia jogar profissionalmente o esporte. Sonho difícil de ser realizado com as condições atuais. A declaração de Helinho é corroborada por Aline Santos, jogadora da seleção feminina de Handebol, tri-campeã pan-americana: “É muito difícil sobreviver do handebol no Brasil, no meu caso, tive que sair do Brasil para ir jogar na França. As equipes estão precisando de patrocínio e as atletas também”. Helinho ainda confirma que teve esperança de aumento no incentivo após a primeira conquista em Santo Domingo, mas ela não se confirmou: “Depois da medalha do Pan-Americano do Santo Domingo (2003) a gente até esperava um pouco mais. Esse patrocínio só chega via Confederação e necessitamos que os clubes estejam mais fortes para que tenhamos um campeonato mais forte no país”.
E por falar em Pan-Americano, e principalmente, do Pan do Rio ano passado, cabe fazer uma nova pergunta: entre os quatro principais esportes coletivos disputados no país (futebol, voleibol, basquete e handebol) qual foi o único que venceu tanto no masculino quanto no feminino? Acertou mais uma vez quem respondeu Handebol. O futebol trouxe apenas o título feminino, enquanto o basquete e o vôlei trouxeram apenas o título masculino. Por que então ainda se mantém a falta de incentivo? Se apoiado, o Handebol no Brasil tem potencial para alcançar o patamar em que hoje se encontra o voleibol. Não digo o futebol, porque esse já é cultura do brasileiro, mas sim o voleibol.
Sem incentivo nenhum, o Handebol brasileiro já conseguiu produzir Bruno Souza, que já foi considerado um dos 3 melhores jogadores do planeta. Mas, infelizmente, para isso ele teve que ir jogar na Alemanha, primeiro no Frisch-Auf Göppingen, e posteriormente no HSV, dedicando-se somente ao Handebol dessa forma. E outra coisa: Bruno Souza nunca deixou de defender a seleção alegando contusões a pedido do seu clube e disputando "peladas" no dia seguinte.
Incentivem o Handebol. O país só tem a ganhar com isso.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Você tem fome de quê?
"Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?...
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...
Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade..."
(Comida - Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito)
****
Todos nós temos fome. Você tem fome de quê? Alguns, e todos nós sabemos disso, tem fome de comida. Mas acredito eu que essa esteja longe de ser a pior das fomes. Há algumas muito piores.
A fome de amor, por exemplo. Quantas pessoas no mundo dariam tudo para ouvir uma palavra de carinho, ter um afago, ou um simples alguém para conversar e não têm. Encontram na maioria das vezes descaso em lugar de amor.
A fome por dinheiro, aqui entendida como ganância e a fome por poder. Talvez sejam as mais destrutivas das fomes. Encontramos muitos que fazem tudo por dinheiro, alguns que venderiam a própria alma por um pouco mais de posses.
A fome por paz. Tantos que vivem em áreas assoladas por guerras e outros conflitos, que matam, separam famílias, dilaceram corpos e almas cada vez mais. Essa fome não só mata fisicamente, como psicologicamente. Vemos tantas pessoas que habitam áreas de guerra sofrerem comprometimentos psicológicos posteriores a perdas significativas. E aqui, encaixo também a guerra urbana, vivenciada nas grandes cidades brasileiras. Todas as pessoas que perderam filhos, pais, irmãos, em uma guerra diária, e que dificilmente terá fim.
E há também fomes boas, como a fome por sucesso sem passar por cima dos outros, a fome por melhorar de vida, a fome por amizades, a fome por concluir estudos e trabalhos.
Tenho fome de vitória pessoal, fome pela paz no mundo e tantas outras fomes não citadas no texto. Você tem fome de quê?
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?...
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...
Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade..."
(Comida - Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito)
****
Todos nós temos fome. Você tem fome de quê? Alguns, e todos nós sabemos disso, tem fome de comida. Mas acredito eu que essa esteja longe de ser a pior das fomes. Há algumas muito piores.
A fome de amor, por exemplo. Quantas pessoas no mundo dariam tudo para ouvir uma palavra de carinho, ter um afago, ou um simples alguém para conversar e não têm. Encontram na maioria das vezes descaso em lugar de amor.
A fome por dinheiro, aqui entendida como ganância e a fome por poder. Talvez sejam as mais destrutivas das fomes. Encontramos muitos que fazem tudo por dinheiro, alguns que venderiam a própria alma por um pouco mais de posses.
A fome por paz. Tantos que vivem em áreas assoladas por guerras e outros conflitos, que matam, separam famílias, dilaceram corpos e almas cada vez mais. Essa fome não só mata fisicamente, como psicologicamente. Vemos tantas pessoas que habitam áreas de guerra sofrerem comprometimentos psicológicos posteriores a perdas significativas. E aqui, encaixo também a guerra urbana, vivenciada nas grandes cidades brasileiras. Todas as pessoas que perderam filhos, pais, irmãos, em uma guerra diária, e que dificilmente terá fim.
E há também fomes boas, como a fome por sucesso sem passar por cima dos outros, a fome por melhorar de vida, a fome por amizades, a fome por concluir estudos e trabalhos.
Tenho fome de vitória pessoal, fome pela paz no mundo e tantas outras fomes não citadas no texto. Você tem fome de quê?
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Você. Tá reclamando de quê?
E o que traz mais prazer à vida do ser humano? Alguns dirão comer, outros dirão dormir, alguns dirão sexo e ainda, uns poucos dirão esporte (mais precisamente Futebol, no Brasil). Mas o que mais traz prazer ao ser humano é reclamar.
Isso é lógico. Ou você nunca reparou que o ser humano passa a vida reclamando? Faríamos alguma coisa durante toda a vida se ela não fosse tão boa? Já nascemos chorando. Enquanto bebês, reclamamos que estamos com vontade de mamar, com fome, com frio entre tantas outras coisas. A criança reclama dos amigos nas "briguinhas" comuns nessa fase da vida e dos pais quando não lhes dão o que desejam. O adolescente reclama dos pais. Por isso, por aquilo, porque eles existem. O que vale é reclamar deles. O adulto reclama das contas, do trânsito, das peraltices das crianças, das necessidades de cuidado maior para com os idosos, do trabalho. E o idoso, reclama das dores e do descaso que muitos têm para com eles. Vide nosso grande ex-presidente FHC, que já chamou os aposentados de vagabundos.
Reclamamos a vida inteira da nossa idade. Crianças e adolescentes reclamam por serem novos demais e não poderem fazer certas coisas que não são propícias a suas idades. Os adultos e os idosos já reclamam dos "anos que não voltam mais". Da juventude que passou. E sentem realmente o efeito da idade. Mais um motivo para reclamar. Mas tudo tem seu tempo. É necessário tanto saber esperar, como saber admirar o passado e usá-lo pra construir um belo futuro.
Reclamamos que não temos tempo para nada. Não temos tempo para um sorriso, para um auxílio. Toda a nossa vida foi assim. Sempre reclamei que não tinha tempo. Hoje, reparo que há 7 anos atrás eu tinha tempo de sobra. Mas esse tempo passou. Eu o perdi reclamando que não tinha tempo. Hoje sim, não tenho tempo pra nada. E sei que daqui 7 anos verei que estava errado. Tinha muito tempo e o perdi reclamando.
Reclamamos nas mais pequenas coisas, todos os dias. Muitas vezes sem percebermos. Inclusive, tenho certeza que a Laís, quando revisar esse texto, vai reclamar comigo de alguns "erros" que cometi.
E isso tudo é normal, afinal, como já foi dito anteriormente, se reclamar não fosse tão bom, ninguém faria. Mas a vida é tão bela. Vá fazê-la mais bela ainda. Não perca seu tempo reclamando.
Isso é lógico. Ou você nunca reparou que o ser humano passa a vida reclamando? Faríamos alguma coisa durante toda a vida se ela não fosse tão boa? Já nascemos chorando. Enquanto bebês, reclamamos que estamos com vontade de mamar, com fome, com frio entre tantas outras coisas. A criança reclama dos amigos nas "briguinhas" comuns nessa fase da vida e dos pais quando não lhes dão o que desejam. O adolescente reclama dos pais. Por isso, por aquilo, porque eles existem. O que vale é reclamar deles. O adulto reclama das contas, do trânsito, das peraltices das crianças, das necessidades de cuidado maior para com os idosos, do trabalho. E o idoso, reclama das dores e do descaso que muitos têm para com eles. Vide nosso grande ex-presidente FHC, que já chamou os aposentados de vagabundos.
Reclamamos a vida inteira da nossa idade. Crianças e adolescentes reclamam por serem novos demais e não poderem fazer certas coisas que não são propícias a suas idades. Os adultos e os idosos já reclamam dos "anos que não voltam mais". Da juventude que passou. E sentem realmente o efeito da idade. Mais um motivo para reclamar. Mas tudo tem seu tempo. É necessário tanto saber esperar, como saber admirar o passado e usá-lo pra construir um belo futuro.
Reclamamos que não temos tempo para nada. Não temos tempo para um sorriso, para um auxílio. Toda a nossa vida foi assim. Sempre reclamei que não tinha tempo. Hoje, reparo que há 7 anos atrás eu tinha tempo de sobra. Mas esse tempo passou. Eu o perdi reclamando que não tinha tempo. Hoje sim, não tenho tempo pra nada. E sei que daqui 7 anos verei que estava errado. Tinha muito tempo e o perdi reclamando.
Reclamamos nas mais pequenas coisas, todos os dias. Muitas vezes sem percebermos. Inclusive, tenho certeza que a Laís, quando revisar esse texto, vai reclamar comigo de alguns "erros" que cometi.
E isso tudo é normal, afinal, como já foi dito anteriormente, se reclamar não fosse tão bom, ninguém faria. Mas a vida é tão bela. Vá fazê-la mais bela ainda. Não perca seu tempo reclamando.
domingo, 20 de julho de 2008
Vai com Deus, porra!
Não interprete mal o título! Os que conheceram Dercy Gonçalves sabem muito bem que ela diria isso!!! Assim, não podemos deixar passar em branco a morte de uma das figuras mais queridas do público brasileiro.
"Dercy Gonçalves, nome artístico de Dolores Gonçalves Costa, (Santa Maria Madalena, 23 de junho de 1907 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 2008) foi uma atriz brasileira, oriunda do teatro de revista e notória por suas participações na produção cinematográfica brasileira das décadas de 1950 e 1960.
Era famosa por suas entrevistas irreverentes, pelo seu bom humor e pelo uso constante de palavras de baixo calão. Foi uma das maiores expoentes do teatro de improviso no Brasil.
Cem anos
No dia 23 de junho de 2007, Dercy Gonçalves completou cem anos com uma festa na praça General Brás, no centro do município de Santa Maria Madalena (sua cidade natal) na região serrana do Rio de Janeiro. Na festa, Dercy comeu bolo, levantou as pernas fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Embora oficialmente tenha completado cem anos, Dercy afirma que seu pai a registrou com dois anos de atraso, logo teria completado 102 anos de idade.
Morte
Morreu com 101 anos, às 16h45, no dia 19 de julho de 2008, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela foi internada na madrugada do sábado dia 19 de julho. A causa da morte teria sido uma complicação decorrente de uma pneumonia comunitária grave, que evoluiu para uma sepse pulmonar e insuficiência respiratória. O estado do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias em memória à atriz."
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Dercy_Gon%C3%A7alves
by Laís Scodeler
"Dercy Gonçalves, nome artístico de Dolores Gonçalves Costa, (Santa Maria Madalena, 23 de junho de 1907 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 2008) foi uma atriz brasileira, oriunda do teatro de revista e notória por suas participações na produção cinematográfica brasileira das décadas de 1950 e 1960.
Era famosa por suas entrevistas irreverentes, pelo seu bom humor e pelo uso constante de palavras de baixo calão. Foi uma das maiores expoentes do teatro de improviso no Brasil.
Cem anos
No dia 23 de junho de 2007, Dercy Gonçalves completou cem anos com uma festa na praça General Brás, no centro do município de Santa Maria Madalena (sua cidade natal) na região serrana do Rio de Janeiro. Na festa, Dercy comeu bolo, levantou as pernas fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Embora oficialmente tenha completado cem anos, Dercy afirma que seu pai a registrou com dois anos de atraso, logo teria completado 102 anos de idade.
Morte
Morreu com 101 anos, às 16h45, no dia 19 de julho de 2008, no Hospital São Lucas, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela foi internada na madrugada do sábado dia 19 de julho. A causa da morte teria sido uma complicação decorrente de uma pneumonia comunitária grave, que evoluiu para uma sepse pulmonar e insuficiência respiratória. O estado do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias em memória à atriz."
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Dercy_Gon%C3%A7alves
by Laís Scodeler
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